terça-feira, janeiro 31, 2006

Precisa-se de Matéria Prima para Construir um País

A crença geral anterior era que Collor não servia, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada.
Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como POVO.

Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a "ESPERTEZA" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais.

Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO OS DEMAIS ONDE ESTÃO.

Pertenço ao país onde as "EMPRESAS PRIVADAS" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos ...e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem "gatos" para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros.
Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual Presidente, que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica.

Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.
Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar.

Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes.
Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro , apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.

Como "Matéria Prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa.

Esses efeitos, essa "ESPERTEZA BRASILEIRA" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, ELEITOS POR NÓS.
Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.

Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa.

E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados....igualmente sacaneados!!!

É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, aí a coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os Santos, a ver se nos mandam um Messias.
Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro...... Somos nós os que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo; desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso.

É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO. AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO EM OUTRO LADO.
E você, o que pensa?....
MEDITE!!!!!

JOÃO UBALDO RIBEIRO

quinta-feira, janeiro 26, 2006

O que encontraremos no Céu?

A Eternidade parece distante quando temos apenas 20 ou 30 anos. Raramente em nossa juventude paramos para pensar que um dia partiremos dessa para outra dimensão. Há momentos em que somos instados a refletir sobre essa circunstância. Isso acontece quando morre um conhecido, especialmente se ele é uma pessoa de pouca idade ou ainda uma criança.

As projeções que fazemos do céu são assemelhadas ao que vemos na televisão, nos filmes. Há muitas nuvens, tranqüilidade praticamente absoluta, anjos vagando para todos os lados com suas asas a dar-lhes autonomia e credibilidade, a bondade é percebida nas auréolas e nas expressões caridosas de todos aqueles que vagueiam por esse espaço privilegiado.

Em nossos sonhos sobre a vida depois de nossa existência sobre a terra é comum que pensemos na possibilidade de encontrar entes queridos, que partiram antes de nós, indo dessa para uma melhor (alguns ou muitos anos antes). Pensamos em nossos avós ou bisavós, nos pais, em irmãos e primos, até mesmo em nossos amores e filhos...

Queremos contar-lhes sobre o que vivemos e também escutar deles sobre tudo aquilo que viram e conheceram a respeito da travessia que fazemos do mundo dos vivos para o dos mortos. A propósito, a palavra morte, no contexto ocidental é constantemente rechaçada, em muitos casos, verdadeiro tabu, assunto a respeito do qual poucas pessoas se dispõem a falar.

Tentamos descobrir a todo o momento como seria esse caminho, queremos saber se as tranqüilizantes imagens que nos são passadas pelos filmes ou pela literatura realmente são condizentes com o que iremos encontrar. Por isso mesmo pensamos em encontrar entes queridos que nos auxiliem a entender melhor esse novo ambiente pelo qual iremos perambular pelo resto de nossas vidas. Existe também, nessa expectativa de encontrar um rosto familiar entre as nuvens da eternidade a constante necessidade que sentimos de segurança.


Quantas vezes você foi a um parque de diversões nos últimos anos? Isso não é divertido?Você já parou para pensar que nossas vidas são como montanhas-russas ou rodas gigantes, em constante movimento, sempre com seus altos e baixos, curvas fechadas e mais abertas? Não perca tempo, viva com intensidade as fortes emoções que a vida lhe concede!

Quem poderia ser melhor para nos recepcionar nesse novo universo senão um de nossos avós? Ou quem sabe nossos pais?

Uma outra explicação para o nosso desejo de encontrar uma pessoa que amamos muito em nossa vida na terra quando chegarmos ao céu pode estar relacionada a um outro profundo e importante sentimento, a saudade. Quantos entre nós não pensamos na falta que nos fazem essas pessoas queridas, que durante suas vidas dedicaram tempo, paciência, palavras, atitudes e carinhos em relação a nós? Esse aconchego pode ter sido proporcionado das mais diferentes formas, através de um conselho amigo, de um prato de comida saboroso (preparado especialmente em função da sua presença), de um gostoso afago ou abraço, de um beijo ardente ou mesmo da simples presença...

Sempre que pensei a respeito da eternidade, imaginei que iria encontrar meus avós e todos aqueles membros da minha família que partiram (ou que irão deixar essa vida) antes de mim. Penso que se tiver que ir na frente também estarei esperando por eles...

Além deles, também os grandes amigos devem estar na porta de entrada do céu, com faixas abertas, recepcionando calorosamente alguém que fez parte marcante de suas existências. Músicas seriam tocadas ao fundo (somente aquelas que realmente significaram muito para a pessoa que estiver chegando), o ambiente seria uma projeção daquilo que sempre desejamos para nossas vidas, cheio de alegria e satisfação, sem intrigas ou conflitos.

O que nos espera quando cruzarmos a fronteira entre as diferentes dimensões?
O que encontraremos na eternidade?
Quem irá nos esperar quando lá chegarmos?

Em “As cinco pessoas que você encontra no céu”, Mitch Albom, autor do livro “A última grande lição” (em que nos colocou em contato com a memorável figura de seu eterno professor Morrie Schwartz, nos dá a sua versão de como seria essa passagem.

É interessante notar, por exemplo, que a história de Eddie, personagem central da trama que se desenvolve ao longo das páginas desse notável livro, nos é contada como uma fábula, que poderia ser apresentada como a vida de qualquer pessoa. Eu ou você, tendo o cotidiano que temos, vivendo na agitação do trabalho, cumprindo diariamente com uma enorme carga de compromissos, tendo que nos dedicar também a outros afazeres e as nossas famílias, poderíamos ser os personagens principais da história contada por Mitch Albom.

Inclusive, chego a acreditar que Mitch se percebeu como possível intérprete dessa narrativa. Tanto ele quanto sua esposa Janine, que nos foi apresentada no livro “A última grande lição” e que, com certeza, ajudou muito ao escritor na elaboração dessa sua nova história.

E quem é esse tal de Eddie, centro da fábula que nos é apresentada no novo livro de Mitch Albom? Eddie é um velho mecânico especializado na manutenção de brinquedos de um parque de diversões. Ele tem mais de 80 anos e, ainda não sabe, mas está prestes a morrer. Na verdade ele tem apenas mais uma hora de vida quando a narrativa se inicia.

Isso nos faz pensar a respeito de quanto tempo ainda temos pela frente. Será que viveremos até os cem anos, ou será que estamos destinados a apenas mais alguns dias, talvez horas? Como estamos vivendo cada novo dia que temos pela frente? Da melhor forma possível ou como um fardo a mais, que teremos que carregar como um burro de carga puxando uma carroça sem que a esse animal sejam dadas alternativas ou possibilidades?

O maior de todos os sonhos que temos é o do reencontro com a pessoa amada, com os pais,irmãos, avós e grandes amigos. A eternidade é como um grande quadro de Monet, cheia de cores que começamos a pincelar desde o momento em que nascemos até a etapa em deixamos nossos corpos para trás e caminhamos para a luz...

Conheço muitas pessoas que se sentem como verdadeiros animais de carga em relação a suas vidas. Tudo lhes parece encargo, nada lhes lega prazer. Recepcionar os amigos em casa para um delicioso almoço no final de semana é encarado como mais trabalho, despesas ou amolação por ter que ficar horas e horas escutando “papo furado”.

Há outras pessoas que, por outro lado, já perceberam que momentos como aqueles em que nos encontramos com amigos ou parentes próximos servem para recarregar as energias. Quando vamos para a cozinha, preparamos os alimentos, tomamos um bom vinho, conversamos sobre amenidades ou mesmo sobre nossas dificuldades com pessoas que prezamos, estamos alimentando nossas almas, dando ao espírito o fôlego que ele necessita para saber que amanhã pode ser um dia muito melhor...

Quantas vezes você realmente parou para dar atenção a seus filhos ou aos sobrinhos? Tem gente que acha que criança não tem nada de interessante ou importante para nos dizer. Dá para acreditar numa coisa dessas? Os poetas e músicos nos lembram a todo instante que as maiores preciosidades existentes no planeta surgem justamente da espontaneidade, da candura e da generosidade dos pequenos. Os psicólogos e educadores, por sua vez, nos lembram que é nessa fase da vida que consolidamos nossas personalidades, nossa disposição em relação a vida, o nosso futuro. Se não formos capazes de dar-lhes a devida atenção, o que poderemos esperar deles no amanhã?

Há um pouco de Eddie em cada um de nós justamente por causa disso, ou seja, pelo fato de termos um cotidiano e uma relação que estabelecemos com ele. Muitas vezes resolvemos adotar um percurso em que prevalecem os espinhos, as chagas, as dores. Não conseguimos nos desvencilhar de uma visão pessimista do mundo, mesmo sabendo que de alguma forma contribuímos para que a vida de outras pessoas seja melhor. Vejam bem, sempre estamos ajudando de alguma forma, mas muitas vezes não nos damos conta disso.

Como será a cidade dos anjos? Ou será que eles já nos guardam enquanto estamos aqui, na Terra? Já pensaram que estamos cercados de anjos e que eles podem ser mais facilmente identificados como nossos amigos, pais, avós, filhos, irmãos,...

Se trabalho como limpador de rua ou como presidente da república, em ambos os casos estou contribuindo com outras pessoas. Ruas limpas, jardins bem cuidados, ambientes arrumados são tão importantes para o dia a dia das pessoas quanto novas leis, mais empregos ou ainda investimentos em educação e saúde. É claro que o alcance das medidas é diferenciado, as alterações propostas pelo presidente atingem todos os cidadãos de um país, os serviços prestados pelos garis, por jardineiros ou ainda por faxineiros está restrito aos espaços onde essas pessoas trabalham. O importante é perceber que eles também são imprescindíveis e reconhecer isso para que essas pessoas se sintam valorizadas e prestigiadas.

Nosso céu ou nosso inferno começa por aqui e não apenas depois que morremos. Somos nós que, de certa forma, decidimos se nossas vidas serão bem vividas ou não. Temos autonomia para escolher nossos amigos, companheiros, emprego, se vamos ou não estudar. É claro que determinadas contingências contextuais podem e irão interferir, assim como sabemos que há certos aspectos de nossas vidas que são definidos a partir de heranças genéticas e familiares (de convívio). O que podemos perceber na obra de Mitch Albom é que temos que exercer essa autonomia, perceber o que estamos fazendo de nossas vidas, alterar os rumos quando necessário, manter aquilo que consideramos adequado.

Viver representa uma oportunidade única. Não há bilhete de volta. Não há segundo tempo previsto para nenhum de nós, meros mortais. Se não fizermos bom uso dessa chance que estamos tendo, não teremos outro livro para escrever sobre nossas vidas. “As cinco pessoas que você encontra no céu” nos coloca em contato com nós mesmos, nossas pequenas vaidades, os erros comuns do cotidiano, as ausências que deveríamos evitar, as distâncias que nos causam saudade e que mesmo assim nos negamos a reconhecer (seja por orgulho ou por qualquer outro motivo).

Morrie Schwartz, o professor de “A Última Grande Lição” deve estar se sentindo muito orgulhoso de seu pupilo. Suas últimas aulas deram um resultado formidável. Com certeza Morrie estará esperando por Mitch para lhe dar os parabéns e lhe dizer que ele ajudou muitas pessoas com suas palavras e reflexões...

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Ponte ou destino?

Ao longo das nossas vidas, centenas de pessoas cruzam o nosso caminho e nos deixam alguma marca que levaremos para o resto das nossas vidas, seja em nosso consciente ou no nosso subconsciente.

As vezes acreditamos que algumas dessas pessoas é o nosso “destino final”, o nosso objetivo alcançado, nosso sonho realizado, seja profissionalmente, pessoalmente ou sentimentalmente, mas esse invariavelmente é o nosso grande equívoco, pois tentamos imaginar logo que as conhecemos se ela é o destino ou apenas uma ponte.

Definitivamente, desisto de tentar “adivinhar” se aquela pessoa que tanto sonhamos para as nossas vidas, ou mesmo que nos chamou a atenção por sua inteligência ou beleza, é ou não apenas uma ponte em nossas vidas para nos levar para outro caminho, totalmente diferente do que nós imaginávamos ou esperávamos.

Porém, uma coisa não tenho mais dúvidas: ninguém cruza o nosso caminho por acaso. Sempre vieram para nos trazer algo ou para oferecermos algo. Nem sempre somos capazes de perceber o que ganhamos e o que contribuímos para aquela pessoa que nos cruzou o caminho. Podemos levar anos para descobrir o quanto foi importante para nós certa pessoa com a qual convivemos seja por dias, meses ou anos.

Cabe a nós, SEMPRE, sermos gratos por todos os seres que fizeram parte da nossa vida, pois certamente eles tinham algum papel a cumprir nesse plano. Mesmo os seres nem tão iluminados, pois justamente com esses, talvez tenhamos feito o melhor papel de nossas vidas, pois provavelmente pudemos contribuir para a evolução espiritual do nosso irmão em Cristo.

Claro, claro, sei que é muito difícil querer agora imaginar que aquele chefe *&#^#$%@ que nos sacaneou tanto seja o nosso melhor amigo, que tenhamos que dar um sorriso e dizer: “Vamos resolver nossas mazelas?”.

Afinal, somos humanos, com todas as nossas fraquezas que adquirimos ao longo da nossa passagem pela Terra. Sim, esse sentimento de “imperdoabilidade”, ou a capacidade de não perdoar, é adquirido, não nascemos com ele, pois quando somos crianças, brigamos com os nossos amiguinhos, e no dia seguinte, por pior que tenha sido a briga, estamos lá, brincando de novo, como se nada tivesse acontecido.

Sempre precisamos ficar atentos a todos os que cruzam a nossa vida, não para detectar o que podemos “ganhar” com ela, mas sim o que podemos “contribuir” para aquela pessoa. Lembre-se de que a nós também podemos ser “a ponte”.

domingo, janeiro 22, 2006

Você sabe quem é você?

Acredito que não somos somente humanos, nem mesmo seres humanos que, eventualmente, desfrutam de experiências espirituais , mas seres espirituais que têm experiências humanas.

Possuímos diversas dimensões que podemos vivenciar e das quais podemos usufruir. Temos em nosso espírito possibilidades acima do tempo e das limitações físicas. E há muitas formas de entrarmos em contato com o Eu Superior que abrigamos.

Trata-se de um caminho no qual quanto mais avançamos, mais nos tornamos capazes de alcançar graus cada vez mais altos de espiritualidade. Quanto mais profundamente nossa prática de meditação nos leva, mais nos distanciamos do plano das aparências e das tentações, da importância que damos às frustrações, aos rancores e ressentimentos, e mais e mais nos envolvemos com esse Eu Superior, com sua capacidade de amar.

Por conseqüência, ao compreender que essa visão da vida e do mundo, esse amor, está dentro de nós, ao descobrir que possuímos esse dom tão precioso, repleto de beleza, nos sentimos seres dignos de ser amados e de alcançar a felicidade.

Somos ,sim, seres luminosos e iluminados.A espiritualidade que cura e traz o equilíbrio é essa capacidade de amar e de nos sentirmos amados. É o que nos devolve o mundo munidos de habilidades impressionantes. Menos sujeito a inibições e constrangimentos, o sub-conciente é uma matriz de criatividade e de respostas intuitivas.

Criatividade e intuição, duas fontes de realização, mas que, habitualmente, subestimamos ou mesmo reprimimos... A verdadeira cura e o verdadeiro equilíbrio dependem de nos reencontrar-mos com nossa essência espiritual.

Sem o rancor trazido de muitas e muitas brigas ao longo dos anos, poluindo a capacidade de amar entre dois seres, muitos atritos aparentemente irreversíveis podem ser resolvidos.

Com uma declaração e amor, com um abraço espontâneo, sincero, dado do fundo do coração (ou da alma).

A espiritualidade maior está na maneira como buscamos: voltados para nosso íntimo, compreendemos que somos responsáveis por nosso aprendizado.
Os únicos responsáveis.
Não há outra maneira de aprender a não ser nos conhecendo, transformando nossos medos e limitações em força e alegria.

Essa é a principal lição.

Nossa tarefa no plano físico é aprender. Aprender no sentido mais amplo, mais ilimitado: aprender a amar. Amar os outros e a nós mesmos. Esse é o conhecimento que nos torna divinos.

Você é maior que seu corpo, maior do que sua mente.
Você é maravilhoso ser de luz e amor, imortal e eterno.
Você é maior do que seus medos, do que sua ansiedade, seus rancores e preocupações.
Você é maior até mesmo do que o seu sofrimento.
Você está sempre rodeado de amor, um amor que pode protegê-lo e confortá-lo.

Que pode alimentá-lo e lhe oferecer realizações. E você pode visualizar o amor que o circunda. Pode reencontrá-lo nas profundezas do seu próprio eu, na sua imensidão interior, de onde você conseguirá sempre olhar o mundo e sentir-se capaz de torná-lo um lugar mais feliz para você e para os demais.

Fixe sua mente na luz, apenas luz. Sinta-a como uma benção.

Ela é de fato, uma benção.
E pertence a você.
Vem de você e é destinada a você, desde o início dos tempos.
Dentro de você há um magnífico universo à sua espera.
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Obrigado, Camilla...e que Deus continue a lhe presentear com uma vida cheia de histórias para se orgulhar em contar...

sábado, janeiro 21, 2006

Nossa CASA

Bom, pessoal, desculpe a demora, mas finalmente vai sair...
Durante toda nossa existência não posso imaginar quantas pessoas abrigamos na nossa vida. Quando pequenos, todo mundo entra, pois ainda não fazemos escolhas. Crescendo, vamos aprendendo a selecionar e permitimos ou não que entrem e façam parte de nós. Mas há também aqueles que entram sem nossa permissão. Fazem bagunça, sentem-se em casa e nunca vão embora sem deixar saudade. E todo mundo vai deixando marcas, mesmo aquelas pessoas que partem de mansinho e nem percebemos direito que se foram. Sempre aprendemos alguma coisa com aqueles que cruzam nosso caminho.
Eu digo que um dia gostaria de ter uma casa onde tivesse um quarto com paredes brancas pra eu ir escrevendo à medida que for sentindo, igual as crianças quando aprendem a desenhar. E acho que seria agradável de vez em quando entrar e ler o que pensei e senti em dado momento. Seria um quarto cheio de mim e das pessoas que me inspiraram tanto.
E se comparo a vida a uma casa, o coração seria esse quarto. As pessoas entram e saem, mas nunca chegam sem nada e nunca voltam vazias. E vão deixando rabiscos nas nossas paredes, nem sempre agradáveis, nem sempre bonitos, mas todos carregados de aprendizado. E o nosso dever é o de cuidar desse quarto e dos seus hóspedes. Uma vez me disseram que quando vêm na minha casa não dá vontade de ir embora. Eu queria que as pessoas que entrassem no meu coração se sentissem assim também. E que, mesmo se fossem, que sentissem vontade de voltar. É importante o calor, o amor e o bem-estar que levamos às pessoas. É importante que se sintam bem conosco. Mas ninguém vai sentir-se bem se em nós mesmos há impedimentos, desorganização. Nosso coração deve ser uma casa de janelas e portas abertas e cheia de luz no interior.
SAIBAM QUE VOCES FAZEM PARTE DA MINHA CASA. Mesmo aqueles que chegam sem eu saber e partem sem dizer nada. E quando eu for bem velhinha, vai ser bom olhar todos esses escritos.
Nosso coração é uma casa onde entra e sai, com ou sem nossa permissão, sem deixar marcas nas paredes. Muitos deixam marcas profundas de felicidade; outros deixam cicatrizes que marcarão nossa vida para sempre.
Os amigos deixam marcas fortes, mas suaves. E cada vez que tocamos nossa alma com nossas recordações lá estão os traços, invisíveis, mas legíveis, como as escrituras em Braile. É suficiente fechar os olhos para ver toda uma história gravada nas paredes do nosso ser. Nesse momento rimos! Os amores perdidos deixam marcas irrecuperáveis: eles deixam um gosto doce e amargo ao mesmo tempo. Amargo na maioria das vezes. Sim, eles têm mais gosto que qualquer outra coisa e sempre sobem a nossa garganta quando as lembranças nos assaltam. Tristes são as marcas das dores que deixaram os que nos fizeram mal. São as cicatrizes que deformam nossas vidas se não aprendemos a conviver com elas. Mesmo se queremos ir adiante, de vez em quando nosso olhar se volta para esses rabiscos mal traçados e sentimos a dor tal e qual no primeiro dia.
Quantas vezes não impedimos que alguém entre por causa de idéias pré-concebidas, ou medo de tentar de novo uma nova relação. Ao primeiro olhar, nos trancamos. Outras vezes, sem muita consciência, deixamos entrar quem não valia muito a pena. Somos maus juízes porque confiamos demais nos nossos olhos e de menos no nosso coração. Devemos pedir a Deus que nos dê um pouco mais de discernimento, pois agindo por nós mesmos, podemos estar nos trancando a maravilhosos encontros.
De vez em quando, é preciso fazer uma boa faxina nessa casinha tão preciosa. É preciso polir carinhosamente, realçar as marcas bonitas; de vez em quando é bom abrir as janelas e deixar que o sol entre e ilumine todos os cômodos; é muito importante achar o cantinho mais gostoso dessa casa e sentar-se nele. E rir do nada. E jogar os ressentimentos para bem longe. Sentir-se bem consigo.
Se nosso coração é uma casa, faça do seu a casa dos seus sonhos. Lembre-se que não importa quantos entram e saem, você é o dono, o responsável. Faça mudanças necessárias. Jogue o inútil no lixo. Dê a mão aos momentos felizes. Tudo o mais deve ficar pra trás.
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Obrigado, Camilla...e que Deus continue a lhe presentear com uma vida cheia de histórias para se orgulhar em contar...

sexta-feira, janeiro 06, 2006

"O amor faz com que tudo, de repente, pareça possível." (H. Jackson Brown)


Amigos, CHEGUEI!!!
CHEGUEI A 2006!!!

Nas malas, um monte de coisas boas.
Não estou falando de presentes, câmeras digitais, brinquedinhos hi-tech, ou algo do tipo.
Trago muitas histórias para contar, experiências vividas, novas amizades, mais sonhos, sentimentos recuperados, esperanças renovadas e energias recarregadas a 200%.

Ao longo dos próximos dias, vou compartilhar com vocês não apenas fotos ou relatos do que aconteceu nos últimos 20 dias, no Natal, no Reveillon, enfim. Escreverei sobre detalhes da vida e do dia-a-dia das últimas semanas que normalmente não são notados, mas que quando paramos para pensar, são a essência da vida.



" O essencial é invisível aos olhos; só se vê bem com o coração !"
(Saint Exupéry)

Fotos? Claro que teremos fotos. Aqui, vou compartilhar apenas algumas com uma significado especial, mas fique tranquilos que para os amigos mandarei "TODAS", ou melhor, colocarei num fotolog. Assim, todos podem ver sem ter que entupir as caixas postais de ninguém.

Afinal, o que são "imagens"?
O que são fotografias senão uma maneira de eternizar momentos apenas. Momentos bons ou ruins, na verdade. O significado desses momentos e o que eles nos trouxeram para enriquecer nossas vidas, ou a vida de alguém, é o que tem de mais bonito quando recordamos esses momentos.

Só digo uma coisa agora: FOI INESQUECÍVEL, INCOMPARÁVEL e INIMAGINÁVEL.


Amanhã, vocês terão o primeiro capítulo...
See ya!
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."
(Fernando Pessoa)