Nossa CASA
Bom, pessoal, desculpe a demora, mas finalmente vai sair... Durante toda nossa existência não posso imaginar quantas pessoas abrigamos na nossa vida. Quando pequenos, todo mundo entra, pois ainda não fazemos escolhas. Crescendo, vamos aprendendo a selecionar e permitimos ou não que entrem e façam parte de nós. Mas há também aqueles que entram sem nossa permissão. Fazem bagunça, sentem-se em casa e nunca vão embora sem deixar saudade. E todo mundo vai deixando marcas, mesmo aquelas pessoas que partem de mansinho e nem percebemos direito que se foram. Sempre aprendemos alguma coisa com aqueles que cruzam nosso caminho.
Eu digo que um dia gostaria de ter uma casa onde tivesse um quarto com paredes brancas pra eu ir escrevendo à medida que for sentindo, igual as crianças quando aprendem a desenhar. E acho que seria agradável de vez em quando entrar e ler o que pensei e senti em dado momento. Seria um quarto cheio de mim e das pessoas que me inspiraram tanto.
E se comparo a vida a uma casa, o coração seria esse quarto. As pessoas entram e saem, mas nunca chegam sem nada e nunca voltam vazias. E vão deixando rabiscos nas nossas paredes, nem sempre agradáveis, nem sempre bonitos, mas todos carregados de aprendizado. E o nosso dever é o de cuidar desse quarto e dos seus hóspedes. Uma vez me disseram que quando vêm na minha casa não dá vontade de ir embora. Eu queria que as pessoas que entrassem no meu coração se sentissem assim também. E que, mesmo se fossem, que sentissem vontade de voltar. É importante o calor, o amor e o bem-estar que levamos às pessoas. É importante que se sintam bem conosco. Mas ninguém vai sentir-se bem se em nós mesmos há impedimentos, desorganização. Nosso coração deve ser uma casa de janelas e portas abertas e cheia de luz no interior.
SAIBAM QUE VOCES FAZEM PARTE DA MINHA CASA. Mesmo aqueles que chegam sem eu saber e partem sem dizer nada. E quando eu for bem velhinha, vai ser bom olhar todos esses escritos.
Nosso coração é uma casa onde entra e sai, com ou sem nossa permissão, sem deixar marcas nas paredes. Muitos deixam marcas profundas de felicidade; outros deixam cicatrizes que marcarão nossa vida para sempre.
Os amigos deixam marcas fortes, mas suaves. E cada vez que tocamos nossa alma com nossas recordações lá estão os traços, invisíveis, mas legíveis, como as escrituras em Braile. É suficiente fechar os olhos para ver toda uma história gravada nas paredes do nosso ser. Nesse momento rimos! Os amores perdidos deixam marcas irrecuperáveis: eles deixam um gosto doce e amargo ao mesmo tempo. Amargo na maioria das vezes. Sim, eles têm mais gosto que qualquer outra coisa e sempre sobem a nossa garganta quando as lembranças nos assaltam. Tristes são as marcas das dores que deixaram os que nos fizeram mal. São as cicatrizes que deformam nossas vidas se não aprendemos a conviver com elas. Mesmo se queremos ir adiante, de vez em quando nosso olhar se volta para esses rabiscos mal traçados e sentimos a dor tal e qual no primeiro dia.
Quantas vezes não impedimos que alguém entre por causa de idéias pré-concebidas, ou medo de tentar de novo uma nova relação. Ao primeiro olhar, nos trancamos. Outras vezes, sem muita consciência, deixamos entrar quem não valia muito a pena. Somos maus juízes porque confiamos demais nos nossos olhos e de menos no nosso coração. Devemos pedir a Deus que nos dê um pouco mais de discernimento, pois agindo por nós mesmos, podemos estar nos trancando a maravilhosos encontros.
De vez em quando, é preciso fazer uma boa faxina nessa casinha tão preciosa. É preciso polir carinhosamente, realçar as marcas bonitas; de vez em quando é bom abrir as janelas e deixar que o sol entre e ilumine todos os cômodos; é muito importante achar o cantinho mais gostoso dessa casa e sentar-se nele. E rir do nada. E jogar os ressentimentos para bem longe. Sentir-se bem consigo.
Se nosso coração é uma casa, faça do seu a casa dos seus sonhos. Lembre-se que não importa quantos entram e saem, você é o dono, o responsável. Faça mudanças necessárias. Jogue o inútil no lixo. Dê a mão aos momentos felizes. Tudo o mais deve ficar pra trás.
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Obrigado, Camilla...e que Deus continue a lhe presentear com uma vida cheia de histórias para se orgulhar em contar...



1 comments:
Estou começando a fazer uma enorme faxina na minha vida e, para ser sincera, isso está me fazendo muito bem! Amei o texto. Muito bom mesmo!
Algumas vezes é difícil, doloro nos livrarmos de certos sentimentos ou pessoas, mas uma coisa você tem toda a razão, devemos sempre tentar olhar para frente, adiante...
Bjo.
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